“Você come o Corpo de Cristo, mas é Ele que te assimila” – Santo Agostinho
O título deste despretensioso artigo causará impacto nos leitores,
uma vez que todo fiel sabe muito bem como comungar, entrando em comunhão
com Jesus Cristo: Caminho, Verdade e Vida.
Lendo o sexto capítulo do 4º evangelho ficamos impressionados com as
palavras de Jesus, afirmando ser Ele mesmo o verdadeiro Maná, descido do
céu que se entrega a nós como alimento para nos comunicar a sua Própria
Vida, Vida Eterna.
No decorrer dos tempos a Igreja não cessou de celebrar o Mistério
Eucarístico e de recomendar aos seus fiéis que busquem na comunhão
sacramental aquela força do alto para, na caridade, edificar a
comunidade. É direito do batizado, que não sofra algum impedimento,
receber a Sagrada Comunhão (CDC 912). É dever de todo fiel, ao menos uma
vez por ano, por ocasião do tempo pascal, receber Jesus Sacramentado,
após a devida reconciliação com Deus e a Igreja mediante o sacramento da
penitência.Agora vejamos: como comungar? – A maneira como nos acercamos da
Eucaristia e a recebemos – lembremo-nos que não estamos a receber uma
coisa, um pedacinho de pão – é clara demonstração de nossa fé. Dois
profundos sentimentos invadem nosso coração. O primeiro é o de nossa
profunda indignidade. Qual criatura, por mais santa que seja, é
merecedora de receber o Senhor, nosso Deus? O segundo é o sentimento de
alegria e gratidão, uma vez que o próprio Deus quis se entregar a nós,
como alimento, para nos comunicar sua Vida, nutrindo-nos como a filhos
queridos. Famintos, estendemos nossas mãos ao Senhor – “Como os olhos
dos escravos olham para a mão de sua senhora” – e abrimos a boca como
pequeno pelicano para receber o bocado do Corpo e da Vida do “Pio
Pelicano”, Jesus Cristo. Como os cervos sedentos, aproximamo-nos para
nos abeberarmos da Fonte da Vida. Discípulos amados, recostamos nossa
cabeça no peito de Jesus, como conviva alegre a receber os bocados do
verdadeiro Maná descido do céu.
As nossas atitudes externas irão expressar nossa fé uma vez que não pode haver contradição entre a nossa fé e a nossa oração.
Em procissão vamos receber a Eucaristia. Há duas formas de recebê-la,
todas duas profundamente significativas, expressam a nossa fé. Em ambas
formas, fica bem claro o reconhecimento de que a Eucaristia é um
excelso dom que recebemos, é graça que acolhemos e não coisa, bem de que
nos apossamos. Não tomamos a Eucaristia, mas a recebemos. Assim se
exprime a Instrução Geral sobre o Missal Romano no n.º 160 “(…) Não é
permitido aos fiéis receber po si mesmos o pão consagrado e muito menos passar de mão em mão entre si. (…).
O n.º 161 apresenta, com os negritos que chamam mais a nossa atenção,
as duas formas dizendo: “ Se a comunhão é dada sob a espécie do pão
somente, o sacerdote mostra a cada um a hóstia um pouco elevada,
dizendo: O Corpo de Cristo. Quem vai comungar responde: Amém, recebe o
Sacramento, na boca ou, onde for concedido, na mão, à sua livre escolha.
O comungante, assim que recebe a santa hóstia, consome-a inteiramente”.
Até mesmo o diácono, se por acaso a celebração tiver a sua
participação, há de receber das mãos do celebrante a comunhão sob as
duas espécies. É o que reza o n.º 182 do mesmo texto. O n.º 244 será
mais preciso, afirmando que o diácono recebe a comunhão, numa
concelebração, após os celebrantes, das mãos do celebrante principal.
A comunhão na boca tem um belo sentido. É expressão da mesma bondade
do Pai que alimenta os seus filhos como crianças. Não é nada indigno
sentir-se, é até mesmo um belo sentimento próprio de filho de Deus,
conforme nos ensinou Jesus o ser criança diante dos mistérios de Deus.
Não nos preparamos para receber a Jesus balbuciando, como uma pequena
criança, o nome do Pai: “Abba”? Somos como filhotes de pelicano a
receber o Corpo do Senhor. Eu sempre gosto de imaginar Jesus Cristo,
partindo os pedaços de pão e colocando-os na boca de seus discípulos,
gesto que significa, amor profundo pelos seus.
Quanto á outra forma forma, recorro às instruções de um grande catequista que viveu no
século IV e foi bispo de Jerusalém: “Ao te aproximares (da Eucaristia),
não vás com as palmas das mãos estendidas, com os dedos separados; mas
faze com a mão esquerda um trono para a direita como quem deve receber
um Rei e no côncavo da mão espalmada recebe o Corpo de Cristo, dizendo:
“Amém”.
Imagino que terei causado mal estar a muitos leitores e serei logo
taxado de rubricista. Meu propósito foi somente o de esclarecer como
algumas atitudes exteriores, gestuais são formas de expressar a nossa fé
no grande Mistério que celebramos e demonstrar amor para com o Corpo do
Senhor. Nossa presença na Missa deve ser total: corpo, coração, alma.
Aquele que bem recebe a comunhão certamente se empenhará em acolher o
Espírito de Cristo que nos congrega na Igreja, Corpo de Cristo.
Fonte: Liturgia em Foco
Escrito por Dom Paulo Francisco Machado/ Formação junho 2008

Nenhum comentário:
Postar um comentário